Ensaios
O registro acompanha o que acontece. Aqui ficam os argumentos que sustentam essa leitura — textos assinados, sem gancho de notícia, escritos para durar mais que a semana em que saíram.
Não automatizei tudo de uma vez. Podei uma tarefa por vez, e foi isso que compôs
A delegação do operacional para sistemas não é projeto com data de entrega. É revisão contínua — e quem trata como implantação descobre tarde que o ganho vinha da manutenção.
Vibe coding: a barreira deixou de ser sintaxe e passou a ser clareza
Quando qualquer executivo consegue construir software descrevendo o que quer, a falta de braço técnico deixa de ser desculpa — e o que trava a empresa fica exposto.
A falácia do expert: o estoque de conhecimento virou passivo e o fluxo virou ativo
Quando a resposta técnica custa zero, o prêmio de mercado migra de quem sabe para quem decide o que fazer com o que sabe. Vinte anos de acúmulo valem menos que a velocidade de aplicação.
O transplante rejeitado: a cultura da empresa decide o destino da IA antes da tecnologia
A maioria das estratégias de IA não fracassa por limitação técnica. Fracassa porque a cultura da empresa rejeita o corpo estranho — e ninguém registra isso como causa.
Quando a análise custa zero, a vantagem passa a ser saber quais dados ignorar
Ser data-driven virou o caminho mais confortável para a decisão errada. A IA não tornou a promessa dos dados obsoleta — tornou-a perigosamente fácil de seguir sem pensar.
Seu time entrega mais rápido e você deixou de enxergar como ele pensa
A IA removeu da vista do gestor o processo cognitivo que ele passou a carreira inteira desenvolvendo nas pessoas. Sobrou o resultado polido, e o resultado nunca foi o que se treinava.
A tirania do consenso: quando todos usam a mesma IA, a estratégia converge
Empresas com as mesmas ferramentas fazem as mesmas perguntas e chegam às mesmas conclusões. O risco maior da IA não é errar — é acertar com frequência suficiente para nos convencer a parar de pensar.